São Óscar Romero, Arcebispo de San Salvador e Mártir

Óscar Arnolfo Romero Galdámez é reconhecido como arcebispo e mártir, pastor zeloso que dedicou sua vida aos pobres e à promoção da justiça e da paz em meio a um contexto de violência e opressão em El Salvador. Beatificado como mártir em odium fidei, sua vida exemplifica a entrega total ao Evangelho, com ênfase no amor aos marginalizados e na denúncia corajosa da injustiça.

Odium fidei é uma expressão em latim que significa “ódio à fé”. O termo é usado para descrever a motivação por trás de certos casos de martírio: quando uma pessoa é morta por causa do ódio que seus perseguidores têm à fé cristã. Esse critério é importante especialmente em processos de beatificação de mártires, pois identifica que a morte ocorreu especificamente por motivos religiosos.

Óscar Arnolfo Romero y Galdámez nasceu em 15 de agosto de 1917, na localidade de Ciudad Barrios, na República de El Salvador. Foi batizado em 11 de maio de 1919 na paróquia local. Morreu em 24 de março de 1980, em San Salvador, assassinado por um esquadrão da morte enquanto celebrava a Missa na capela do hospital para doentes terminais onde modestamente residia.

Nascido em uma família modesta, seu pai era telegrafista, Romero demonstrou desde cedo vocação religiosa, ingressando no Seminário Menor de San Miguel aos 12 anos e no Seminário Maior de San Salvador em 1937. Formou-se em Roma na Universidade Gregoriana (1937-1943), onde foi ordenado sacerdote em 4 de abril de 1942, desenvolvendo profunda devoção ao papado e à universalidade da Igreja.

Retornou a El Salvador durante a Segunda Guerra Mundial e serviu como pároco na diocese de San Miguel por mais de 20 anos, destacando-se por integridade, ascetismo e zelo pastoral. Em 1967, tornou-se Secretário da Conferência Episcopal. Nomeado bispo auxiliar de San Salvador em 1970, bispo de Santiago de María em 1974 e arcebispo de San Salvador em 1977, viveu em uma época histórica marcada pela ditadura militar, crescente violência política, guerrilha e guerra civil iminente. Sua missão principal foi pastorear o povo em meio à crise, defendendo os direitos humanos dos camponeses pobres, denunciando a violência de ambos os lados e promovendo reconciliação, sempre em comunhão com a Igreja. O momento era difícil, como dizia o Arcebispo: “A autenticidade de um cristão se constatava na hora das dificuldades… Bendito seja Deus por este momento difícil em nossa arquidiocese. Peçamos-lhe a graça de sermos dignos desta situação”!

Romero é conhecido por suas homilias no radio, que alcançavam milhões, exortando à conversão, paz e justiça. Após o assassinato do padre Rutilio Grande em 1977, evento que transformou sua vida, assumiu a defesa dos pobres, visitando Aguilares para as exéquias e tomando o lugar do sacerdote junto aos camponeses órfãos. Denunciou publicamente a violência, recusando-se a fugir apesar das ameaças, e distribuiu generosamente aos necessitados. Seus diários espirituais revelam profunda entrega a Deus. 

Em suas homilias, ele falava de uma “única Igreja, daquela que Jesus pregou aos ricos e pobres, sem distinção… à qual devemos dar todo o nosso coração”; ele pregava “uma reforma interior sobrenatural, que não se traduzia em luta armada e que, como o Evangelho, deveria ter repercussões concretas no homem”.  Em 23 de março de 1980, fez uma pregação, pelo rádio, dirigindo-se diretamente a os soldados:

“Nenhum soldado é obrigado a obedecer a uma ordem contrária à lei de Deus… Chegou a hora de tomar consciência… Pois isso, em nome de Deus e deste povo, que sofre há muito tempo, cujo grito sobe cada vez mais alto aos céus, eu lhes imploro, lhes rogo, em nome de Deus, para cessar a repressão”!

O Arcebispo sabia que não podia falar assim e continuar vivendo, mas como bom pastor que era não se omitiu. 

Romero era um homem de virtudes heroicas: amava Jesus na Eucaristia, venerava Maria, era obediente à Igreja e pai dos pobres. Sua espiritualidade era marcada por humildade, coragem, misericórdia e confiança na Providência. Nos diários, escreveu: «“Meu Deus, ajuda-me, prepara-me. Tu és tudo, eu não sou nada e, no entanto, o teu amor quer que eu seja muito.”. Aceitava a morte violenta com serenidade, pondo sua vida sob a Providência de Deus.

Reconhecido como sacerdote bom, bispo sábio e homem virtuoso, pastor segundo o coração de Cristo, evangelizador dos pobres e testemunha do Reino de justiça e paz. Papa Francisco o descreveu como “Bispo e mártir, pastor segundo o coração de Cristo, evangelizador e pai dos pobres.”. São João Paulo II o chamou de  “Pastor imolado pelo seu rebanho.” . Sua generosidade era “generosa, total e super abundante”.

Sua mensagem central é o amor evangélico aos pobres, justiça, paz e reconciliação. Não ideológica, mas radicada no Evangelho. Exortava ao perdão, à conversão e à construção do Reino de Deus na terra, afirmando que o céu deve começar aqui. Pregava contra o ódio, promovendo a fraternidade e a misericórdia.

Romero previa e aceitava livremente a morte violenta, recusando exílio para não abandonar seu rebanho: “Um pastor não vai embora; deve permanecer até o fim com os seus”. No dia 24 de março de 1980, Dom Romero participou de um retiro espiritual para sacerdotes. Na Missa vespertina, que celebrou, disse: “Aqueles que se dedicam ao serviço dos pobres, por amor de Cristo, vivem como o grão de trigo que morre…”. Ao término da sua homilia, ao voltar ao altar, um homem armado entrou na igreja e o baleou, seu sangue misturando-se ao de Cristo. Seu sacrifício, em contexto de perseguição à Igreja defensora dos direitos humanos, testemunha a fé até o fim.

Beatificação: 23 de maio de 2015, em San Salvador, por Papa Francisco, que autorizou o Decreto sobre o martírio em 3 de fevereiro de 2015, após Congresso teológico e Sessão Ordinária. Motivo: martírio in ordium fidei pela voz profética de conversão, paz e justiça.

Canonização: As fontes disponíveis não detalham a canonização subsequente, focando na beatificação como reconhecimento de seu martírio. Elas enfatizam sua santidade como fruto do sangue dos mártires e profeta do amor de Deus. Ele é invocado como santo pela Igreja.

Por que é Santo: Pela entrega total como pastor mártir, identificando-se com Cristo Bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas.

As fontes fornecidas não relatam milagres específicos atribuídos a Romero, enfatizando seu martírio como via de santidade, dispensando milagre para beatificação. Seu testemunho inspira conversões e fortaleza entre os pobres.

Reconhecidas virtudes como fé inabalável, esperança na Providência, caridade pastoral heroica, coragem frente à morte, misericórdia para com perseguidores e obediência à Igreja. Foi preparado para o martírio desde seminarista, amando heroicamente com afeto e sangue.

A data litúrgica é 24 de março. Sua memória é celebrada com grande fervor em El Salvador e América Latina, especialmente entre pobres e em contextos de injustiça. É venerado como protetor dos cristãos perseguidos e de El Salvador. 

Recorra a S. Óscar Romero e peça a sua intercessão quando se sentir desafiado e precisar de força e coragem. Inspire-se em São Romero para trabalhar pela justiça e ajudar os pobres.

Pai Celestial, como S. Óscar Romero, inspira-nos a sermos suficientemente corajosos para falar em nome daqueles que enfrentam a injustiça, custe o que custar. Inspirai-nos a estar ao serviço da Igreja, especialmente na ajuda aos pobres e necessitados. Que a coragem de S. Óscar Romero nos inspire a trabalhar com integridade para acabar com a violência e a pobreza. Amém. 

Algumas citações:

  • “Um pastor não vai embora; deve permanecer até o fim com os seus”.
  • “Aspirar não a ter mais, mas a ser mais.”
  • “A Igreja tem de sofrer por dizer a verdade, por apontar o pecado, por arrancar o pecado pela raiz. Ninguém quer que lhe toquem numa ferida e, por isso, uma sociedade com tantas feridas contorce-se quando alguém tem a coragem de lhe tocar e dizer: “É preciso tratar isso. Tens de te livrar disso. Acredita em Cristo. Convertei-vos”.
  • “A Igreja, o povo de Deus na história, não está ligada a nenhum sistema social, a nenhuma organização política, a nenhum partido. A Igreja não se identifica com nenhuma dessas forças porque é a eterna peregrina da história e indica em cada momento histórico o que reflete o reino de Deus e o que não reflete o reino de Deus”.

Romero, formado em Roma, costumava dizer “Coragem!” em italiano para encorajar-se e aos outros em meio às ameaças, aproximando-se de nós como um pastor humilde e confiante na graça de Deus.

São Óscar Romero permanece como luz para as nações, modelo de santidade, chamando todos à coragem evangélica pela justiça e paz.

Referências:
https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/03/24/santo-oscar-romero–martir.html

https://hallow.com/pt-br/saints/oscar-romero

https://www.youtube.com/watch?v=XNyj8Bd1QBw