Santa Jacinta, a pastorinha de Fátima

 Início da breve história da Santa portuguesa 

Jacinta era a filha mais nova da família Marto. Conhecida por suas características afetuosas, foi uma criança doce e carinhosa, que desde cedo compreendeu o sentido profundo da amizade. Em contrapartida, também era caracterizada por ser uma criança que não gostava de ser contrariada, e por vezes possessiva, não aceitando dividir aquilo que lhe pertencia. Sempre foi melhor amiga de seu irmão Francisco, e ambos receberam a sua catequese através da própria mãe. 

Jacinta e Francisco constantemente buscavam a prima Lúcia para as brincadeiras habituais de uma família portuguesa em 1917. O contexto da época era sombrio, com a guerra acontecendo e a constante sensação de insegurança e instabilidade. Vale ressaltar que uma perseguição à Igreja já estava ocorrendo. Por serem crianças, buscavam continuar a vida no pastoreio do rebanho da família, assim como se divertir sempre que podiam. 

A pequena Santa e suas devoções 

Jacinta nutria um amor sincero a “Jesus Escondido”, Aquele que estava dentro da Hóstia Santa, e durante as aparições de Nossa Senhora em Fátima, dentro de Jacinta cresceu em seu coração a necessidade de se doar pela conversão dos pecadores. As mortificações e penitências que ela começou a fazer tinha o propósito de oferecer “por amor de Nosso Senhor, para reparar o Imaculado Coração de Maria, pela conversão dos pecadores e pelo Santo Padre.” (Memórias da Irmã Lúcia, pág. 70). 

Após a visão do inferno mostrada por Nossa Senhora durante as aparições, Jacinta ficou impactada, não só pelo o que viu, mas pelo o que ouviu da Virgem Santíssima, pois muitos pecadores iriam ao inferno, por não haver quem se sacrificasse por eles. Dentro da pequena Santa algo mudou. Desde então, até as merendas da tarde eram dadas às ovelhinhas do rebanho, para que a fome viesse e assim surgisse a oportunidade de oferecer às almas pecadoras. Jacinta aproveitava tudo por amor a Jesus. 

Nas palavras da Irmã Lúcia, em seu livro de Memórias: “A Jacinta repetia com frequência esses sacrifícios, mas não me detenho a contar mais; senão nunca acabo.” (pág. 67). 

Doença e morte de Jacinta 

Na época das aparições, Nossa Senhora já havia comunicado a Jacinta que em breve iria buscá-la para ir ao Céu. E de fato, Jacinta adoeceu em outubro de 1918, um ano após a última aparição na Cova da Iria, episódio que ficou conhecido como “Milagre do Sol.” 

No final de outubro de 1918, Francisco, seu irmão, foi contaminado pela gripe espanhola, e logo mais toda a família Marto, com exceção do pai, também adoeceram. Na véspera de Natal daquele ano, a família melhorou da situação, mas Francisco e Jacinta tiveram uma recaída da doença. 

Em janeiro de 1919, ainda de cama, ambos receberam uma nova visita da Virgem Santíssima, que avisou que viria buscá-los em breve, primeiro a Francisco, e logo após Jacinta, mas que antes, a Santinha passaria por algumas provações a fim de salvar mais almas do inferno. 

Após a morte de Francisco, Jacinta foi a responsável por consolar os pais, e apesar da falta que sentia do irmão, guardava a certeza que ele foi levado pela Virgem Santíssima e em breve poderiam se reencontrar no Céu. Logo após, uma série de internações aconteceram, juntamente com a piora da pequena Santa. 

No dia 2 de fevereiro de 1920, a pastorinha foi internada em Lisboa, no hospital Dona Estefânia. As dores de Jacinta foram quase insuportáveis. Após a retirada da sétima costela, havia uma abertura do tamanho de uma mão na santinha, e todos aqueles que cuidavam de sua recuperação sabiam que seu sofrimento poderia ser elevado ao nível de um martírio (mas nem Jacinta ou Francisco são considerados como mártires). Ainda assim, tudo foi oferecido pelo Imaculado Coração de Maria. 

No dia 20 de fevereiro de 1920, a pequena Santa partiu para o Céu, a fim de conhecer suas grandes devoções face a face, encontrar seu irmão Francisco, e esperar pela vinda de sua querida prima Lúcia. Antes de partir, solicitou e recebeu a Sagrada Eucaristia e afirmou que morreria naquele dia, por volta das 22h. 

Beatificação e Canonização 

A beatificação ocorreu em 13 de maio de 2000, realizada pelo Papa João Paulo II. Já a canonização dependeu do reconhecimento de um milagre: a cura inexplicável, do ponto de vista científico, de um menino brasileiro que sofria de traumatismo craniano, atribuída à 

intercessão de Francisco e Jacinta. Foram canonizados pelo Papa Francisco no dia 13 de maio de 2017, no Santuário de Fátima em Portugal. 

Santa Jacinta Marto, pastorinha de Fátima, rogai por nós. 

Prece à Jacinta (autoria da Irmã Lúcia, pág 41) 

Ó tu que a terra 
Passaste voando, 
Jacinta querida, 
Numa dor intensa, 
Jesus amando, 
Não esqueças a prece 
Que eu te pedia. 
Sê minha amiga 
Junto do trono 
Da Virgem Maria. 
Lírio de candura, 
Pérola brilhante 
Oh! Lá no céu 
Onde vives triunfante, 
Serafim de amor, 
Com teu Irmãozinho, 
Roga por mim 
Aos pés do Senhor. 

Referências 

Memórias da Irmã Lúcia: a pastorinha de Nossa Senhora de Fátima / compilação do Pe. Luís Kondor (São Paulo) – Edição Loyola, 2016. 

Fátima: a biografia da Santa que apareceu a três crianças pobres, mudou o rumo das guerras, salvou a vida de um papa, revelou um segredo cercado de mistérios e conquistou o mundo. Berthaldo e Kenya Soares. (Rio de Janeiro) – Edição Globo Livros, 2019.