Histórico das aparições
No dia 11 de Fevereiro de 1858, a jovem de 14 anos Bernadete Soubirous estava procurando lenha com a sua irmã e uma amiga, próximo ao rio Gave, em Massabielle, na França. Naquela época a França que, além de atravessar um clima predominantemente frio, lidava também com a frieza de coração, pois encontrava-se em um momento de positivismo, no século XIX.
Por isso, naquele dia, o curso da França tomaria uma direção totalmente diferente. Ao sentir uma ventania que não balançava as árvores, a Bernardete viu uma jovem mulher rodeada de uma intensa luz. Aquela Senhora não lhe dirigiu à palavra, mas lhe ensinou a fazer corretamente o sinal da Cruz e a rezar o terço. Após rezarem juntas, a senhora desapareceu.
As pessoas da cidade logo descobriram o que estava acontecendo. Seus pais a quiseram impedir de voltar à gruta de Massabielle, local onde havia encontrado a Senhora. Sentindo-se impelida a voltar três dias depois da primeira aparição, no dia 14 de Fevereiro, Bernardete retorna à gruta, dessa vez com água benta, pois os moradores relataram que não sabiam se tratava-se de algo do Céu ou não. Ao chegar na gruta, Bernardete tentou aspergi-la, mas a Senhora ficou imóvel e lhe lançou um sorriso. As duas voltaram a rezar o terço.
Os moradores locais começaram a acompanhar as idas à gruta junto da jovem, que despertaria, no mínimo, um sentimento de asco e estranheza àqueles que a assistiram. De certo, a pequena jovem entrava em êxtase ao contemplar a Senhora, porém, quando terminava o momento, Bernardete desempenhou comportamentos incomuns, como colocar terra na boca. Mais tarde se tornaria público que era uma forma de humilhação pela conversão dos pecadores.
No dia 18 de fevereiro, a Senhora conversou pela primeira vez com Bernardete. Nessa aparição, Ela pede que a santinha retorne durante 15 dias à gruta de Massabielle, e que ela deve pedir aos padres que façam uma procissão e construam ali uma igreja. Durante os dias, muitos duvidaram do estado mental daquela jovem menina de 14 anos, mas um dos padres resolveu dar um voto de confiança à Bernardete. As autoridades locais não ficaram satisfeitas, e várias vezes a ameaçaram. O padre que acreditou nas suas palavras também a defendeu de todas as ameaças.
No dia 25 de fevereiro, Bernardete estava na gruta, cumprindo os 15 dias, quando a Senhora pede que ela coma a grama que lá estava. Tal atitude chocou mais uma vez os moradores, mas ao comer a grama, de lá saiu uma água da nascente, que naquela época curou muitos enfermos, e que cura até hoje, conforme muitos testemunharam.
Eu sou a Imaculada Conceição
Vale destacar que Bernardete não sabia ler o catecismo, não possuía qualquer formação ou histórico de aprendizado, sofria de problemas respiratórios, como a asma, e era constantemente desacreditada por muitas das pessoas ao seu redor. Portanto, não foi difícil para o padre local acreditar em Bernardete quando, em 25 de março daquele ano, a Senhora voltou a manifestar-se à jovem e declarou:
“Eu sou a Imaculada Conceição.”
Como uma menina sem instrução saberia de um dogma mariano proclamado 4 anos antes pelo Papa Pio IX?
A fonte de água que brotou na gruta atrai curiosos e devotos até hoje. Os pedidos de Nossa Senhora ficaram gravados na memória do local – oração e penitência.
Cronologia das aparições em Lourdes
Em fevereiro: 11, 14, 18, 19, 20, 21, 23, 24, 27 e 28.
Em março: 1, 2, 3, 4 e 25.
Em abril: 7.
Em julho: 16 (fechando o ciclo das aparições no dia de Nossa Senhora do Carmo).
Nas palavras de Santa Bernardete:
“Certo dia, fui com duas meninas às margens do Rio Gave buscar lenha. Ouvi um barulho, voltei-me para o prado, mas não vi movimento nas árvores. Levantei a cabeça e olhei para a gruta. Vi, então, uma senhora vestida de branco; tinha um vestido alvo com uma faixa azul celeste na cintura e uma rosa de ouro em cada pé, da cor do rosário que trazia com ela.
Somente na terceira vez, a Senhora me falou e perguntou-me se eu queria voltar ali durante quinze dias. Durante quinze dias lá voltei e a Senhora apareceu-me todos os dias, com exceção de uma segunda e uma sexta-feira. Repetiu-me, várias vezes, que dissesse aos sacerdotes para construir, ali, uma capela. Ela mandava que fosse à fonte para lavar-me e que rezasse pela conversão dos pecadores. Muitas e muitas vezes perguntei-lhe quem era, mas ela apenas sorria com bondade. Finalmente, com braços e olhos erguidos para o céu, disse-me que era a Imaculada Conceição”
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Festa litúrgica: 11 de fevereiro – dia de Nossa Senhora de Lourdes.
Título: Nossa Senhora de Lourdes, intercessora dos doentes, enfermos e sofridos.
