Vocações e o encontro marcado pelo Céu
Luís e Zélia eram filhos de militares e cresceram num ambiente de rigidez e disciplina. Durante o período da adolescência, Luís tentou ser cônego regular de Santo Agostinho, mas devido a dificuldade com o latim, foi rejeitado. Zélia tentou ingressar nas Filhas da Caridade, na França (mesma congregação que traria Santa Luísa de Marillac e Santa Catarina Labouré), mas logo percebeu que não era essa a sua vocação.
Ambos foram catequizados durante suas vidas, obedecendo as Sagradas Escrituras, temendo fielmente à Deus, e estudaram em escolas católicas. Escolheram as suas profissões ao terminar seus estudos, ele, aos 34 anos, se tornou relojoeiro (por volta de 1858), e ela, aos 26 anos, se dedicou a ajudar sua mãe na administração da loja da família, e logo em seguida abriu uma fábrica conhecida como “Pontes de Alençon”, que rapidamente prosperou. Cada um em seus afazeres e trabalhos, se dedicavam com amor e zelo àquilo que faziam.
O encontro dos dois se deu na ponte São Leonardo, em Alençon. Naquele dia, Zélia sentiu em seu coração que aquele homem deveria se tornar seu marido “Este é o homem predestinado para ti.” Não demorou para que os dois sentissem e se dedicassem à vocação matrimonial. Logo após poucos meses de noivado (3 meses), casaram-se no dia 13 de julho de 1858, e propuseram-se a viver uma vida conjugal santa e piedosa, com missas diárias.
Vida conjugal e morte dos Santos
No início do casamento, Luís propôs à Zélia que vivessem como irmãos, devido àquele anseio dos dois sobre a vida religiosa. Apesar de concordar, Zélia começou a sentir um forte desejo pela maternidade. Luís sempre a consolava. Após 10 meses de casamento, um padre e confessor os orientou (de forma oportuna e enérgica) à abertura à vida, que mais tarde traria santas ao mundo, sendo Santa Teresinha a mais conhecida.
Meses antes de morrer, a Sra. Martin escreveu em uma de suas cartas:
“Ao ter filhos, nossas ideias mudaram muito; não vivíamos senão para eles, estando aí nossa felicidade, e em nenhuma outra parte, fora deles, encontramo-la. Enfim, nada mais nos custava; o mundo já não nos preocupava. Tal era minha grande compensação; eu também desejei ter muitos filhos para educá-los para o céu.”
São Luís e Santa Zélia viviam no temor à Deus e na educação religiosa, mas suas vidas não foram um mar de rosas. Entre os anos de 1865-1870 passaram por diversos lutos nafamília, os pais de Luís e Zélia faleceram, assim como os dois únicos filhos pequenos (homens), e logo depois duas filhas. Apesar de todo esse processo doloroso de luto em pouco tempo, eles se abandonaram à Divina Providência, confiando que Deus derrama graças em quaisquer situações, e que é inútil buscar a felicidade plena na terra.
Santa Zélia faleceu aos 46 anos, vítima de um câncer de mama, o que deixou a família mergulhada em mais um (e talvez o mais doloroso) processo de luto. Nessa época, a filha caçula, Teresinha, tinha 4 anos. São Luís morreu aos 71 anos, em julho de 1894, com uma doença que o debilitou a ponto de perder suas faculdades mentais e ser internado em um sanatório.
Beatificação e Canonização
São Luís e Santa Zélia foram beatificados em 19 de outubro de 2008, em Lisieux, na França, após o reconhecimento de um milagre. Foram canonizados em 18 de outubro de 2015 pelo Papa Francisco, no Vaticano. Eles foram o primeiro casal a ser canonizado em uma mesma cerimônia na história da Igreja. Sua festa litúrgica é celebrada no dia 12 de julho.
O milagre que primeiramente levou o casal a beatificação foi a cura inexplicável de um bebê prematuro com uma grave má-formação pulmonar, Pietro Schiliró, na Espanha, após a família se debruçar em orações e súplicas pedindo a intercessão do casal. Já a canonização foi devido à cura de uma menina, em Valência, também na Espanha.
Curiosidades
O lema da família Martin é “Deus em primeiro lugar” ou “Deus, o primeiro a ser servido.”
As cartas trocadas entre o casal, durante um curto momento em que ficaram afastados, demonstrava o profundo amor e amizade que sentiam um pelo outro.
Primeiro casal canonizado junto na história da Igreja.
Tiveram juntos 5 filhas religiosas: Paulina, Maria, Leônia, Celina e Teresinha.
Em um dado momento, São Luís escreve à Santa Zélia: “Teu marido e verdadeiro amigo que te quer sempre.” E Santa Zélia retribui, dizendo: “Já tarda o momento de estar contigo, meu querido Luís; quero-te com todo o meu coração e sinto que pela privação da tua presença que experimento, meu amor se duplica; ser-me-ia impossível viver longe de ti.
”São Luís e Santa Zélia Martin, modo de família casta e santa, rogai por nós!
Referências
Padre Thomas Kevin Kraft OP, Matrimônios santos – Os santos casados como modelos de espiritualidade conjugal, 8ª ed. Lorena: Cléofas, 2025.
